Escrito por Sede ValeVerde Sex, 19 de Junho de 2009 12:38
Movimento Ciclovida
http://www.bicicletada.org/sjc Â
São José dos Campos – capital do Vale do ParaÃba. São José dos Campos – cidade que está entre as principais do Estado de São Paulo em arrecadação de impostos. São José dos Campos – cidade de gente daqui, de lá, acolá, enfim, de tantos lugares totalizando 590 mil habitantes. Muitos, quando aqui chegam, se surpreendem com suas ruas arborizadas e floridas, chafarizes, avenidas largas e anéis viários. Porém, cabe aqui dizer que São José dos Campos teria tudo para ser também uma cidade modelo no que diz respeito à presença de CICLOVIAS.Â

Entretanto, a realidade é bem diferente.
Sem dúvida, quem, no dia-a-dia, se aventura a sair pela cidade montado em sua bicicleta rumo às compras, ao trabalho, ao lazer, à escola, pode ser considerado um corajoso. Afinal, as ruas, as avenidas arborizadas e floridas e os anéis viários não possuem ciclovias. Portanto, bicicletas, carros, ônibus e motos são obrigados a dividir o mesmo espaço de forma desleal e, principalmente, insegura.
Nesse cenário caótico, é comum (e até aborrecedor quando se está a pé) presenciar ciclistas circulando pelas calçadas – via exclusiva dos pedestres. Poucos são aqueles que concluem que as bicicletas estão ali exatamente porque as ruas não oferecem segurança. Ou seja, impera uma certa lei de sobrevivência já que apenas os veÃculos motorizados possuem seu direito de ir e vir garantido (até os pedestres, em diversos pontos da cidade, não contam com calçadas).
São José possui uma frota de veÃculos que não pára de crescer – hoje, são cerca de 218 mil veÃculos entre carros, ônibus e motocicletas – e horários de ‘rush’, por exemplo, passam cada vez mais a fazer parte da Capital do Vale. Levando em conta que prevalece uma topografia plana na cidade (pelo menos nas áreas mais centrais), que existe uma lei municipal que obriga a construção de ciclovias desde 1992 (leia mais nessa reportagem) e que a cidade não pára de crescer (construção de mais alças viárias, ampliação de avenidas e etc), é extremamente cabÃvel se pensar conjuntamente – órgãos públicos e sociedade – na real execução de um eficiente projeto de malhas cicloviárias.
Num mundo tão acelerado e repleto de problemas das mais diferentes naturezas, parece até utópico pensar em ciclovias. Entretanto, numa época em que é preciso redirecionar os modelos de desenvolvimento em busca de uma melhoria da qualidade de vida, as ciclovias representam uma possibilidade saudável de combate ao trânsito e ao excessivo uso do veÃculo poupando, assim, queima de combustÃvel e, conseqüentemente, poluição do ar.
Sabe-se que nada muda da noite para o dia e não basta apenas se construir ciclovias e ponto final. Para uma real mudança de hábito e convencimento de que as ciclovias são uma tendência, são necessárias trocas de informações entre sociedade e órgão público, principalmente no momento da execução do projeto (já mencionado anteriormente), investimento em extensas campanhas educativas e, ainda, estÃmulo ao quesito segurança com relação ao estacionamento das bikes nos mais diferentes pontos da cidade. Portanto, tendo em mente que se trata de um conjunto de ações, tal reportagem não tem o objetivo de criticar por si só, e sim, tentar apontar soluções e agregar mais adeptos à campanha lançada pela Vale Verde, Movimento Ciclovida.Â
Diferentes pessoas e instituições comerciais foram entrevistadas, fotografadas e mencionadas para que se revelem a atual situação, os maiores problemas enfrentados pelos ciclistas e as expectativas com relação a uma São José dos Campos que possa trazer também em seu slogan “a cidade das cicloviasâ€.
Texto: Federica Giovanna Fochesato